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Cultivo de Pinus

Reflorestamento

O cultivo de Pinus carrega um mito perigoso de que a floresta se cria sozinha. Na prática, o sucesso de um talhão não é definido na colheita, mas sim nos primeiros doze a dezoito meses após o plantio. Quem tem a vivência de campo sabe que o manejo inicial é a linha tênue entre uma floresta produtiva e um prejuízo financeiro, e isso começa muito antes de a muda ser colocada no chão.

O preparo do solo depende inteiramente do histórico da área, pois a avaliação da compactação pré-existente é fundamental. Em áreas de pecuária, o pisoteio constante do gado cria uma camada severamente compactada na superfície, conhecida como pé de boi. O mesmo ocorre em áreas onde já havia floresta, devido ao tráfego de máquinas pesadas na colheita. Nesses cenários, a subsolagem é obrigatória. Sem quebrar essa camada, a raiz pivotante do Pinus não desce, a árvore fica suscetível à seca e ao tombamento por vento. Por outro lado, em áreas que antes eram lavouras de milho ou soja, o solo já foi arado e gradeado, possuindo boa estrutura e aeração. Nesses casos, a subsolagem profunda não é necessária, pois a terra já está solta.

Essa diferença de solo impacta diretamente a escolha da ferramenta de coveamento. Em solos duros, o uso do trado comum é um erro clássico: ele fura a terra, mas cria paredes lisas e compactadas, causando o efeito de espelhamento e enjaulando a raiz da muda. A solução ideal, especialmente para pequenos e médios produtores, é o trado subsolador, ou broca escarificadora. Diferente do trado tradicional, ele possui duas facas de tamanhos diferentes levemente inclinadas que descem até trinta centímetros. Ele não remove a terra da cova, mas afofa o solo ao redor. Isso garante o contato íntimo entre solo e raiz. Quando o plantio é feito sem esse cuidado, a mortalidade pode passar de dez por cento. Isso não acontece apenas porque a raiz não perfura a terra, mas porque a falta de contato cria bolsas de ar que secam o substrato, permitem a entrada excessiva de oxigênio e favorecem o surgimento de bolores. Com uma cova bem feita, a muda raramente morre.

Além do preparo, o momento do plantio é crucial. A crença de que o inverno é a melhor época é verdadeira. Durante o frio, a muda de Pinus entra em dormência da parte aérea e não emite brotos, concentrando toda a sua energia no enraizamento. Quando a primavera e o verão chegam, com temperaturas mais altas e chuvas, a muda já possui um sistema radicular estabelecido, o que permite um crescimento muito mais vigoroso. E com uma cova bem feita pelo trado subsolador, a raiz chega às bordas da cova já forte, sem encontrar barreiras severas.

Outro erro fatal é adiar a limpeza do mato. As ervas daninhas crescem mais rápido que o Pinus e competem por água, luz e nutrientes. No entanto, o perigo mais letal é o microclima. Quando o mato afoga a muda, ele bloqueia a circulação de vento. A umidade do orvalho e da chuva fica presa no colo da planta. Essa câmara úmida e abafada é o ambiente perfeito para fungos patogênicos, que causam a podridão do colo e o tombamento, fazendo a muda apodrecer e morrer. A prática correta é manter o plantio limpo, com roçadas ou herbicida localizado, até que o Pinus se fortaleça. A limpeza só pode ser relaxada quando as copas das árvores se encontram e fecham o dossel. A sombra densa e a queda das acículas acidificam o solo e inibem naturalmente o crescimento do mato. Portanto, respeitar a história do solo, escolher a ferramenta correta, aproveitar o inverno e controlar rigorosamente a competição nos primeiros meses é a receita para transformar mudas frágeis em florestas de alta produtividade.

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